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18/03/2015

De olho nos problemas que a automedicação pode trazer


O costume de tomar qualquer remédio quando sente algum mal estar, sem a recomendação de um médico, pode causar sérios problemas a saúde. Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para Farmacêuticos (ICTQ) realizou um estudo em 12 capitais brasileiras e revelou um dado alarmante: 76,4% da população brasileira fazem uso de medicamentos a partir da indicação de familiares, amigos, colegas e vizinhos. Em Brasília (DF), este índice chega a 83%.

           E quando se trata dos olhos não é diferente, a automedicação pode levar, até mesmo, a cegueira irreversível. Segundo o oftalmologista Sebastião Ferreira, do Oftalmed – Hospital da Visão, o problema é muito maior do que parece. “Hoje em dia é comum ver as pessoas usando produtos para os olhos sem nenhuma supervisão médica. O que representa um risco maior do que se imagina. Em muitos casos, o resultado pode ser contrário ao esperado. Além de não sanar o incômodo, a automedicação pode agravar a doença ou disfarçar outro problema mais grave e até levar a cegueira”, conta.

O especialista conta que apesar de conhecerem os riscos, alguns pacientes ainda procuram se automedicar com produtos que, as vezes, até pioram o quadro do problema. “A água boricada, por exemplo, é uma das substâncias que as pessoas mais usam para trazer alívio as irritações nos olhos, o que pode ocorrer num primeiro momento, mas depois agravar o problema e até mascarar uma infecção mais grave. Até mesmo o uso de soro fisiológico deve ser evitado”, recomenda o oftalmologista.

Já o oftalmologista Jonathan Lake, da Oftalmed – Hospital da Visão, explica que no caso do uso irregular de colírios, vários problemas podem ser causados, até mesmo o que as pessoas julgam serem inofensivos, como aqueles para deixar o olho mais branquinho, também conhecido como adstringente, eles podem causar a catarata. “É importante que a pessoa tenha um diagnóstico correto e utilize o medicamento específico para o problema para que alcance o resultado desejado. O uso incorreto do medicamento pode comprometer a visão e causar problemas sérios como a glaucoma, ressecamento dos olhos e alteração na lágrima. Por isso é tão importante o diagnóstico correto”, indica.

Sintomas

A dupla de oftalmologistas lembra que os sintomas de toxicidade incluem sensação de areia nos olhos, vermelhidão, ardência, sensibilidade à luz e visão turva. “Ao se manifestarem alguns desses sintomas, o uso do colírio ou de qualquer outra substância deve ser interrompido e o paciente precisa procurar imediatamente um oftalmologista para identificar o problema e iniciar o tratamento adequado”, orientam.

 

Algumas dicas

·         Lave as mãos antes e depois de aplicar qualquer medicamento nos olhos;

·         As instruções do oftalmologista quanto ao uso do medicamento, como dosagem, número de aplicações e agitação do produto antes da aplicação, por exemplo, devem ser rigorosamente seguidas;

·         Se você usa lentes de contato, retire-as antes de aplicar o produto e recoloque-as dez minutos depois da aplicação;

·         Pingue somente uma gota de colírio de cada vez;

·         Não encoste o aplicador nos olhos para evitar contaminação;

·         Não divida seu frasco de colírio com outra pessoa: cada um deve ser de uso individual;

·         Caso o oftalmologista tenha prescrito mais de um colírio, deve-se aguardar cerca de 15 minutos entre as aplicações;

·         Relate ao oftalmologista qualquer incômodo relativo ao uso do colírio, como ardência, vermelhidão ou irritação. Em alguns casos, será necessária uma nova prescrição.


Destak Comunicação

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