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17/10/2014

Olhos: 11 países somam mais de 120 milhões de dias de trabalho perdidos anualmente por problemas de visão

Além de privar a pessoa de autonomia e bem-estar, a perda da visão e as quatro principais doenças oculares (catarata, glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular relacionada à idade) são responsáveis por 123 milhões de dias perdidos de trabalho anualmente em onze países que integram o European Forum Against Blindness (EFAB). Formado por França, Alemanha, Reino Unido, Dinamarca, Itália, Irlanda, Polônia, Eslováquia, Espanha, Suécia e Suíça, o grupo tem um custo de 32 bilhões de euros todos os anos com esses problemas visuais.
 
Na opinião do professor Ian Banks, coordenador do fórum, a principal consideração a ser feita a partir desse estudo é de que ações preventivas e intervenções precoces são medidas fundamentais para mudar esse quadro preocupante. “Exemplo disso são as triagens para retinopatia diabética e glaucoma, seguidas de tratamento”, diz o especialista – que acredita que esse tipo de iniciativa proporcionaria melhor saúde ocular para a população e ainda reduziria os custos derivados da perda total da visão.
 
Nos onze países, segundo o estudo, há mais de 860 mil pessoas cegas, quase 30 milhões de portadores de catarata, 3,6 milhões de pessoas com retinopatia diabética, 4,4 milhões com glaucoma e outros dois milhões com degeneração macular relacionada à idade. “Nesse grupo, pelo menos uma em cada dez pessoas tem uma dessas quatro doenças oculares. Por isso, o custo-benefício de se investir em prevenção e tratamentos conservadores pode representar muito em termos de cortar custos na ponta, quando não apenas o paciente, mas sua família, seu trabalho e todos à sua volta são diretamente afetados por sua deficiência visual”, diz Banks. 
 
De acordo com Renato Neves, oftalmologista e diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos, em São Paulo, muitas dessas doenças não vão dar sinais até que a pessoa já tenha passado dos 40 ou 50 anos, ou mais. Mas isso não quer dizer que a pessoa não se beneficie se desde muito antes seu oftalmologista fizer um acompanhamento. “Grande parte dessas doenças relacionadas à perda gradual da visão passam despercebidas por anos e anos porque seus sinais são praticamente imperceptíveis. Entretanto, quando diagnosticadas, já têm um impacto considerável sobre a qualidade de vida do paciente e exigem medidas severas e dispendiosas. Quanto mais cedo o oftalmologista puder detectar e tratar a doença, maiores serão as chances de preservar a visão sem grandes impactos”.
 
Neves afirma que rastrear o histórico de saúde ocular de determinadas famílias pode ser a chave para prevenir a perda de visão no futuro. “Algumas doenças têm um componente hereditário bastante relevante. Famílias que têm casos de DMRI (degeneração macular relacionada à idade), por exemplo, aumentam em 50% as chances de seus membros desenvolverem a doença. No caso do glaucoma, estudos indicam que há uma propensão entre quatro e nove vezes maior quando há um ou mais casos entre os parentes diretos. A dica, então, é começar a prestar bastante atenção em como seus parentes enxergam e relatar ao oftalmologista tudo o que for relevante: se há casos de diabetes, glaucoma, catarata, DMRI, infecções oculares recorrentes entre seus pais, tios e avós”.
 
Um exame mais detalhado com os olhos dilatados – que é rápido e não provoca dor – pode contribuir para que o médico oftalmologista tenha mais chances de procurar por esses problemas que não costumam se ‘mostrar’ antes que estejam devidamente instalados e provocando estragos na visão. “A partir desse exame inicial, há todo um protocolo de exames e testes a ser seguido. Além do histórico familiar, é importante saber se há outros fatores de risco para doenças da visão, como idade, raça, sexo, doenças crônicas etc. Só para se ter uma ideia, mais de 60% das pessoas com perda de visão são mulheres. Já os idosos afrodescendentes têm até cinco vezes mais chances de desenvolver glaucoma. Isso mostra que a perda da visão pode ser rastreada e prevenida muito antes de comprometer a qualidade de vida e a autonomia das pessoas”, afirma o especialista.
 
Nesse sentido, Neves revela ter inaugurado recentemente uma unidade móvel do Eye Care para atendimento ‘in company’. “Trata-se de uma iniciativa que visa poupar tempo e trabalho de deslocamento para que funcionários de empresas fiquem com a saúde ocular em dia. Afinal, ter boa visão é fundamental para praticamente todo tipo de ocupação e algumas doenças oculares que podem ser evitadas representariam um custo bastante alto para essas organizações – e maior ainda para a qualidade de vida das pessoas”, diz Neves.
 
 
Prof. Dr. Renato Neves, médico oftalmologista, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos, em São Paulo, e coautor do livro “Seus olhos” (CLA Editora). www.eyecare.com.br
 

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