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15/03/2010

Lentes dentro dos olhos para deixar os óculos de vez

As lentes intra-oculares estão cada vez mais na moda, seja por razões de saúde ou de imagem. Elas são utilizadas nos casos mais graves, quando o laser não resolve. Reinaldo Bartolomeu, de 31 anos, estava farto das lentes de contato. "Colocá-las todos os dias de manhã e tirá-las à noite era um grande incômodo", explica. Mas sem elas, ou sem os óculos que usava quando chegava em casa, perdia grande parte da visão devido à miopia grave que sofria desde criança. Há cinco anos pôs fim ao problema e a hábitos de toda a vida. Procurou um oftalmologista que lhe colocou, dentro dos olhos, lentes definitivas. "Hoje não me preocupo mais com o assunto. Ganhei qualidade de vida, além de melhorar a minha imagem", garante Reinaldo. A colocação de lentes intra-oculares (através de uma pequena cirurgia que não exige internamento), há 15 anos, pode ser feita em Portugal. Inicialmente era usada para tratar catarata, e tornou-se também procurada para corrigir miopias graves, astigmatismo e hipermetropias elevadas - que não podem ser tratadas com laser. Mas hoje, é cada vez mais usada por pessoas com problemas menos graves para se verem livres de vez dos incômodos óculos. Os materiais mais compatíveis e maleáveis, com os preços a descer, devido à concorrência, têm ajudado no aumento da procura. "Estas lentes são seguras, adaptam-se a cada caso, e oferecem uma excelente qualidade de vida aos pacientes. São o futuro", admite Joaquim Murta, diretor do Serviço de Oftalmologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC). Este é dos poucos hospitais do País onde, só muito recentemente, começou a fazer este tipo de intervenções comparticipadas para os casos de erros refrativos - as cirurgias de cataratas já são feitas nesta unidade de saúde há cerca de 15 anos. "Começamos, há um ano, a adquirir este tipo de lentes. Já colocamos algumas, mas ainda estão a decorrer concursos públicos para aumentarmos o stock", explica o responsável. Entretanto, a lista de espera aumenta, diz sem querer revelar números. "Há muitas pessoas que precisam ou querem colocar estas lentes", declara. Há quem o faça por questões de saúde, mas muitos procuram este tipo de intervenção nas clínicas privadas por razões estéticas. "Há pessoas que colocam estas lentes quando têm pouca graduação, há quem o faça com menos de três dioptrias, não é por necessidade premente", admite. "O laser pode não ser recomendado nesses casos por razões médicas, mas a pessoa pode viver perfeitamente com os óculos", explica Joaquim Murta. Nos casos graves em que as lentes são recomendadas, - pessoas com intolerância às lentes de contacto ou que usam óculos com graduação muito elevada - esta solução melhora significativamente a qualidade de vida. Mas nem todos as podem colocar. A primeira condição é ter mais de 20 anos (ver texto ao lado). "Temos de ter a garantia de que a graduação está estável", explica a oftalmologista Conceição Lobo Fonseca, autora de alguns estudos sobre o assunto, acrescentando: "É necessário esperar dois a três anos e ver se as dioptrias não aumentam." Já a idade-limite "pode ser estabelecida aos 60, quando se começa a ter outro tipo de problemas oculares como as cataratas", completa o oftalmologista Francisco Versteeg, da clínica I-Qmed, onde fazem em média 20 intervenções destas por mês. Contudo, o clínico diz que a pessoa não pode ter problemas de saúde, como diabetes ou outras patologias oculares mais graves. A cirurgia a laser ainda é a primeira opção dos médicos, por ser "mais fácil e barata". A colocação das lentes é escolhida sobretudo para casos em que o laser não resulta. "O problema é que o laser tem limites, depende da espessura da córnea. É como se fosse uma escavação, e só posso escavar até certo limite, caso contrário fura-se o olho", explica Adriano Aguilar, da clínica oftalmológica ALM, que, enquanto faz dez cirurgias a laser por semana, põe dez lentes intra-oculares por mês. Uma cirurgia a laser, para um olho, custa perto de 600 euros numa clínica privada, mas uma lente intra-ocular pode chegar ao triplo: entre 1300 e 1600, dependendo se é progressiva ou não (tal como acontece com as lentes vulgares). "Pode-se colocar-se uma lente monofocal para corrigir a visão ao longe, mas neste caso a pessoa teria sempre que usar óculos para ver de perto. Já as lentes progressivas, ou bifocais, são mais caras, mas permitem ver de longe e de perto", salienta Conceição Lobo Fonseca. Depois de colocadas, são raros os casos em que são substituídas: "Só quando são substituídas por lentes para as cataratas. Se a graduação do olho aumentar, resolve-se com o laser", conclui Adriano Aguilar.
http://www.dn.sapo.pt/ de Portugal

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